Lúciovinhos
Seis
tendências e inovações do mercado de vinhos
Se você
acha que a indústria do vinho é conservadora, bem... você acertou. Mas isto não
significa que não haja inovações no mercado. De diferentes embalagens a novas
modalidades de produção, as novidades já estão no mercado. Pois livremo-nos dos
preconceitos e vejamos o que é tendência no setor vinícola pelo mundo.
SCREW CAP
Nada mais
é que aquela tampinha de rosquear feita de alumínio que a gente costuma
encontrar, por exemplo, em vidros de azeite, vinagre e destilados.
Ironicamente,
a screw cap foi inventada pelos franceses, que são exatamente um dos povos que
mais a rejeita. Isto porque a tampinha ainda enfrenta enorme desconfiança. Por
outro lado, é bastante difundida na Austrália e Nova Zelândia. Atualmente,cerca de 70% dos vinhos neozelandeses são fechados com screw
cap. Inclusive aqueles excelentes e caros Sauvignon Blancs de Marlborough Valley.
Muitos
afirmam que a screw cap não consegue conservar o vinho por muito tempo. Na
verdade, os estudos já comprovam que essa tampinha consegue conservar o vinho
por mais tempo que a rolha, permitindo menor penetração de oxigênio para dentro
da garrafa. Além disso, reduz a zero as chances de o vinho apresentar TCA,
conhecido como cheiro de rolha, um dos defeitos mais comuns e que é proveniente
da cortiça. Por fim, é mais barata e infinitamente mais prática, pois dispensa
o saca-rolhas.
BAG-IN-BOX
Aqui
também poderíamos incluir outras formas alternativas de embalagem, como
garrafas Pet ou até Tetra Pak. Ao contrário destas, o vidro é frágil e pesado,
o que significa dizer que seus custos com transporte são mais elevados.
A
bag-in-box é talvez a forma alternativa de embalagem mais conhecida no mundo do
vinho, embora ainda sofra grande preconceito em quase todos os lugares, com
exceção dos países escandinavos. Devido à maneira que seus povos têm de encarar
o vinho como algo simples e prático, nos países nórdicos, cerca de 55% do vinho
vendido lá é embalado em bag-in-boxes.
É verdade
que ainda não faz sentido armazenar grandes vinhos numa “sacola”, mas ela pode
ser uma forma inteligente para armazenar aquele vinho do dia a dia, que
certamente ficará mais barato e poderá aguentar por pelo menos duas semanas
antes de oxidar, o que é impossível de conseguir com as garrafas convencionais.
Essas bolsas, por outro lado, contam com um sistema simples que dificulta a
entrada de ar enquanto se serve o vinho.
MÍDIAS SOCIAIS
Conforme
já visto em artigo anterior, a web e as redes sociais formam um importantíssimo
pilar para o vinho. As mídias sociais são primordialmente uma maneira de se
compartilhar as experiências e – por que não? – fazer recomendações. Fan pagese contas no Twitter dedicadas
apenas ao vinho já não são novidade e exercem importante influência. Prova
disto são as atuais manifestações que estão ocorrendo no Facebook e Twitter a
respeito da proposta de salvaguardas para vinhos importados. São críticas e até
propostas de boicote aos que apoiam tais medidas, tudo nascendo a partir das
redes sociais.
VINO-LOK
Também
chamada Vino-Seal, é uma outra alternativa à rolha de cortiça. Trata-se de uma
tampa de vidro com uma fita de borracha bem fina que funciona como vedação. São
mais baratas, bonitas e integram-se bem ao vidro da garrafa. Estão ganhando
notoriedade a cada dia e já estão sendo adotadas por muitos produtores,
especialmente alemães e austríacos.
MENOR TEOR ALCOÓLICO
Lembra da
onda de vinhos com catorze, quinze por cento de teor alcoólico surgida há
alguns anos? Pois agora o quadro está se invertendo. Isto porque está crescendo
a opção por vinhos com menos quantidade de álcool. O que acontece é que o
consumidor percebeu que, além de “subir” mais rápido, o álcool em excesso
também esconde aromas e sabores no vinho. Isso sem contar as questões de saúde,
que incluem consumir menos álcool. O que farão agora os produtores da Costa
Oeste dos EUA e da Austrália, com seus Shiraz com 15° de álcool? E o que dizer
dos fortificados, como Porto, Xerez, Madeira...?
VINHOS ECOLÓGICOS
Talvez
este não seja o termo correto para classificar “orgânicos”, “biodinâmicos” ou
“naturais”.O objetivo aqui tampouco é explicar as mínimas diferenças entre os
três conceitos. De maneira bastante simplificada, pode-se dizer que são vinhos elaborados com
impacto mínimo ao meio-ambiente e pouco ou nenhum aditivo (leia-se anidrido sulfuroso).
O
importante é que vinhos com uma menor pegada de carbono estão sendo cada vez
mais bem vistos, mesmo que, por razões óbvias, sejam mais caros que os
convencionais.
NoBrasil já surgem os primeiros sinais de
um novo nicho de mercado: tem-se notícia de importadores e restaurantes que
estão trabalhando quase que unicamente com vinhos ecológicos.
Na Europa
– em especial na França – esta onda é tão forte que já
surgiu a velha e conhecida rivalidade entre os produtores europeus, mas desta
vez entre orgânicos, biodinâmicos e naturais. Uns criticando os outros. Os
orgânicos fazem piadas com as crenças nas forças da natureza e dos astros que
têm os biodinâmicos. Estes, por sua vez, criticam os primeiros pela falta de fé
e os naturais pela suposta inconsistência entre uma garrafa e outra. E os
naturais se defendem dizendo que esse sim é o vinho verdadeiro e puro.
Essas são
apenas algumas (e talvez as mais interessantes) das tendências no mundo do
vinho atualmente. O que você pensa delas? Concorda que também pode haver
grandes vinhos fechados sem cortiça? Tomaria seu vinho preferido direto de uma
sacola? E aceitaria desembolsar mais em nome do meio-ambiente? Deixe seu
comentário e opinião abaixo!

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