segunda-feira, 6 de agosto de 2012

lúciovinhos

Protegendo os vinhos brasileiros

Publicado em: 21 Março, 2012 por Euclides P.
OBS: Este artigo faz parte da série “Curiosidades Enológicas”, publicada mensalmente pela ABS.
Nesta série de artigos que venho assinando desde 1995 e que se aproxima de seu número 200 tenho tido o cuidado de dedicar um em cada oito para o vinho do meu país. Assim, dos 195 publicados anteriormente, 23 trataram de assuntos voltados para a vinicultura brasileira. Meu carinho pelo vinho nacional evidenciou-se também no meu livro “110 curiosidades sobre o mundo dos vinhos” (Mauad Editora, 2006, segunda edição, 130 páginas,). Isso tem raízes não somente no sentimento de pátria, mas também no fato de que acompanho pessoalmente há mais de vinte anos o progresso da vinicultura da Serra Gaucha onde estive pela primeira vez em 1990.
Posso dizer que é algo extraordinário.

Foto 1: Vinhos brasileiros da vinícola
É com tais credenciais e como incentivador reconhecido da melhoria da qualidade de nossos vinhos que faço as observações a seguir, surgidas a partir da notícia de que, a título de proteção do vinho brasileiro, haveria um aumento significativo na taxação dos vinhos importados. Parece-me um retrocesso.
Creio que em termos de qualidade, os vinhos brasileiros dividem-se em espumantes, qualidade superior e vinhos populares. Os espumantes nacionais estão entre os melhores do mercado e a Serra Gaúcha já é a Champagne das Américas. Sem qualquer proteção eles garantiram um mercado ascendente no Brasil por sua qualidade, pela apresentação esmerada e preços competitivos. Estão auto-protegidos; os produtores disputam posição entre si, o que é sadio.
Para incentivar o setor de vinhos tranquilos de alta qualidade – e já temos vários – uma redução na carga tributária incidente aliada a melhorias logísticas seria conveniente e estimulante. O problema que os envolve é de falta de competitividade nos preços, possivelmente por questões de custo e dos impostos incidentes e também por competirem - em igualdade de preços - com produtores de países consagrados no mundo do vinho. Ainda assim, alguns deles têm se colocado no mercado internacional, o que é muito melhor do que inibir importações.
Para o setor de vinhos populares, a promoção da melhoria de qualidade na produção – castas européias, espaldeiras, escolha adequada de terroir para cada variedade, atualização tecnológica, educação enológica, volumes que diluam custos fixos – inclusive por meio de incentivos governamentais se for o caso, seria uma alternativa mais viável. Tais iniciativas, mais demoradas, é verdade, mas seguras, surtiriam efeitos positivos e definitivos e não contraproducentes ou apenas esporádicos como certamente seria a simples elevação de impostos sobre os produtos importados.
....................................................................................................lúciovinhos publica

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